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O Envelhecimento - 12/02/2014



 O Envelhecimento

A esperança de vida nos países desenvolvidos aumentou de forma considerável. Por exemplo, uma criança do sexo masculino nascida em 1900 tinha uma esperança de vida de apenas 46 anos, enquanto uma nascida hoje viverá, provavelmente, mais de 72 anos. Uma criança do sexo feminino nascida em 1900 tinha uma esperança de vida de 48 anos, enquanto actualmente ela será de cerca de 79 anos.

Embora seja significativo o aumento, em média, da esperança de vida, é muito pequena a alteração registada no limite máximo da idade que se pode atingir. Apesar dos avanços na genética e na medicina, ninguém parece ter conseguido ultrapassar o limite dos 120 anos.

Teorias do envelhecimento

Todas as espécies envelhecem e experimentam alterações consideráveis, do seu nascimento à sua morte. A partir desta evidência a ciência propõe várias teorias sobre as causas do envelhecimento, embora nenhuma tenha sido comprovada. No fim de contas, de cada teoria podem extrair-se algumas das causas pelas quais se envelhece e se morre.

Segundo a teoria da senilidade programada, os genes predeterminam a velocidade do envelhecimento de uma espécie porque contêm a informação sobre quanto tempo viverão as células. À medida que estas morrem, os órgãos começam a funcionar mal e com o tempo não podem manter as funções biológicas necessárias para que o indivíduo continue a viver. A senilidade programada contribui para a conservação da espécie uma vez que os membros mais velhos morrem à velocidade requerida para dar lugar aos jovens.

Por outro lado, a teoria dos radicais livres expõe que a causa do envelhecimento das células é o resultado das alterações acumuladas devido às contínuas reacções químicas que se produzem no seu interior. Durante estas reacções formam-se os radicais livres, substâncias tóxicas que acabam por danificar as células e causar o envelhecimento.

A gravidade da afecção aumenta com a idade, até que várias células não podem funcionar normalmente ou se destroem e, quando isso ocorre, o organismo morre. As diversas espécies envelhecem a um ritmo diferente segundo a produção e a resposta por parte das células aos radicais livres.

Como se altera o corpo com a idade?

- Diminui a quantidade de sangue que flui para os rins, o fígado e o cérebro.
A capacidade dos rins para depurar toxinas e fármacos diminui.
Constata-se uma menor capacidade do fígado para eliminar as toxinas e metabolizar a maioria dos fármacos.
A frequência cardíaca máxima diminui, mas a frequência em repouso não sofre alterações.
Diminui o volume máximo de sangue que passa através do coração.
Diminui a tolerância à glicose.
Diminui a capacidade pulmonar.
Observa-se um aumento da quantidade do ar remanescente nos pulmões (depois de espirrar).
A resistência às infecções é menor.

Alterações corporais

Com a idade alteram-se vários aspectos perceptíveis no corpo humano. A primeira indicação de envelhecimento talvez apareça quando o olho tem dificuldade em focar os objectos próximos (presbitia). Por volta dos 40 anos para muita gente é, geralmente, difícil ler sem usar óculos. A capacidade auditiva também se altera com a idade, sendo frequente a perda de certa capacidade para ouvir os sons mais agudos (hipoacusia). Daí que as pessoas mais idosas possam considerar que a música do violino já não soa tão emocionante como quando eram jovens; também, ao não perceber a tonalidade aguda da maior parte das consoantes fechadas, podem pensar que os outros estão a murmurar.

Na maioria dos indivíduos a proporção de gordura corporal aumenta com a idade mais de 30 %. A sua distribuição também varia. De facto, há menos gordura por debaixo da pele e mais na zona abdominal e, consequentemente, a pele torna-se mais fina, enrugada e frágil, e a forma do corpo também se altera.

Por isso, não é surpreendente que, com a idade, diminuam quase todas as funções internas, cujo pico máximo de eficácia se situa na faixa dos 30 anos. A partir dessa idade inicia-se uma perda gradual mas contínua. Apesar dessa perda, a maioria das funções continuam a ser adequadas durante o resto da vida porque a capacidade funcional de quase todos os órgãos é superior à que o corpo necessita (reserva funcional).

Por exemplo, embora se destrua metade do fígado, o tecido hepático restante é suficiente para manter um funcionamento normal. Geralmente, são as doenças, mais do que o envelhecimento normal, que explicam a perda da capacidade funcional na velhice. Ainda assim, a diminuição das funções incide na predisposição dos idosos para sofrer os efeitos adversos dos fármacos, as alterações ambientais, o efeito das substâncias tóxicas e as doenças.

Embora a qualidade de vida se altere pouco com a diminuição das funções de alguns órgãos, a deterioração de certos órgãos pode afectar seriamente a saúde e o bem-estar.

Por exemplo, na velhice a quantidade de sangue que o coração pode bombear quando o corpo está em repouso não se reduz demasiado; em contrapartida, quando o esforço é máximo, a diminuição que se verifica é significativa. Isto implica que os atletas mais velhos não sejam capazes de competir com os atletas mais jovens.Por outro lado, as alterações no funcionamento do rim podem afectar gravemente a capacidade das pessoas mais velhas para eliminar certos fármacos do organismo. (Ver secção 2, capítulo 9)

Em geral, é difícil determinar quais são as alterações que se relacionam com o envelhecimento e quais as que dependem do estilo de vida que cada indivíduo levou. Vários órgãos podem sofrer danos maiores que os causados pelo envelhecimento, como no caso das pessoas que levam um estilo de vida sedentário, uma dieta inadequada, que fumam e abusam do álcool e das drogas. Os indivíduos expostos a substâncias tóxicas podem experimentar uma quebra mais acentuada ou mais rápida em alguns órgãos, especialmente os rins, os pulmões e o fígado. Os indivíduos que trabalharam em ambientes ruidosos terão mais probabilidades de perder a capacidade auditiva. Podem evitar-se algumas alterações se se adoptar um estilo de vida mais saudável. Por exemplo, deixar de fumar em qualquer idade melhora o funcionamento dos pulmões e diminui as probabilidades e um cancro no pulmão, assim como a actividade física ajuda a manter em forma os músculos e os ossos
 

Perturbações que afectam principalmente as pessoas de idade avançada

Doença ou alteração

Explicação

Doença de Alzheimer e outras demências

Perturbações do cérebro que provocam uma perda progressiva da memória e de outras funções cognitivas.

Úlceras por pressão

Úlceras da pele devido a uma pressão prolongada.

Hiperplasia prostática benigna

Aumento de volume da próstata (nos homens) que obstrui o fluxo de urina.

Cataratas

Opacidade do cristalino do olho que impede a visão.

Leucemia linfática crónica

Um tipo de leucemia.

Diabetes, tipo II (começo no adulto).

Às vezes não é necessário um tratamento com insulina neste tipo de diabetes.

Glaucoma

Aumento da pressão numa das câmaras do olho que pode diminuir a visão e causar cegueira.

Gamapatias monoclonais

É um grupo de doenças diversas caracterizadas pela proliferação de um tipo específico de células que produzem grandes quantidades de imunoglobulina.

Artrose

Degenerescência da cartilagem das articulações que produz dor.

Osteoporose

Perda de cálcio dos ossos que os torna frágeis e aumenta o risco de fracturas.

Doença de Parkinson

Doença degenerativa e progressiva do cérebro que causa tremor, rigidez muscular, dificuldade nos movimentos e desequilíbrio.

Cancro da próstata

Cancro na glândula prostática (nos homens).

Herpes zoster

Uma recidiva do vírus latente da varicela que causa uma erupção na pele e pode provocar dor durante muito tempo.

Icto

Obstrução ou ruptura de um vaso sanguíneo do cérebro que provoca falta de forças, perda da sensibilidade, dificuldade em falar e outros problemas neurológicos.

Incontinência urinária

Diminuição ou perda da capacidade de continência urinária.

Consequências das doenças

A geriatria é a especialidade médica que se ocupa das pessoas de idade avançada e das doenças de que sofrem, e a gerontologia é o estudo do envelhecimento. Não existe uma idade específica que transforme o indivíduo em «ancião», embora esta se estabeleça frequentemente nos 65 anos, por ser a idade habitual da reforma.

Algumas doenças, denominadas às vezes síndromas geriátricas ou doenças geriátricas, apresentam-se quase exclusivamente em adultos de idade avançada. Pelo contrário, outras perturbações afectam os indivíduos de todas as idades, embora na velhice sejam mais frequentes ou mais graves, ou possam causar sintomas ou complicações diferentes.

As pessoas mais velhas sofrem a doença de uma maneira diversa da dos adultos mais jovens, e inclusive podem ter sintomas diferentes. Por exemplo, a diminuição da função tiroideia causa, geralmente, um aumento de peso e uma sensação de preguiça nas pessoas mais jovens. Nos mais velhos o hipotiroidismo pode também provocar confusão, que, por erro, se pode diagnosticar como demência. Pelo contrário, uma glândula tiroideia hiperactiva provoca, frequentemente, inquietação e perda de peso nos jovens; mas nos mais velhos é causa de sonolência, introversão, depressão e confusão. No jovem adulto, a depressão aumenta a propensão ao choro, à introversão e à tristeza. No entanto, nas pessoas de idade avançada a depressão pode causar confusão, perda da memória e apatia, sintomas que podem ser interpretados, por erro, como os da demência. O falecimento das pessoas mais velhas já não se verifica por afecções agudas como um enfarte cardíaco, uma fractura da bacia ou uma pneumonia. Hoje, estas doenças podem ser tratadas e controladas mesmo que sejam incuráveis.

Uma afecção crónica não implica necessariamente a invalidez: de facto, muitos doentes podem continuar as suas actividades e não depender dos outros apesar de ter diabetes, alterações renais, doenças do coração e outras doenças crónicas.

Os factores socioeconómicos modificam, com frequência, a forma como as pessoas mais velhas procuram e recebem cuidados médicos; muitas vezes, tendem a ocultar os problemas quando são pouco importantes; ou não solicitam atenção médica senão quando as perturbações se tornam bastante mais graves.

Na idade avançada, têm tendência para sofrer de mais de uma doença ao mesmo tempo, e cada doença pode influir nas outras. Por exemplo, a depressão pode piorar a demência e a diabetes pode agravar uma infecção.

Também é frequente que, devido aos factores sociológicos, as doenças se compliquem em pessoas de idade avançada. Este grupo de pessoas pode deprimir-se se a afecção implicar uma perda de independência temporária ou permanente e, como consequência, necessitar de cuidados frequentes por parte dos serviços sociais, assim como de ajuda psicológica.

Daí que os geriatras recomendem, muitas vezes, os tratamentos multidisciplinares sob a direcção de um médico principal, que, por sua vez, conta com a colaboração de uma equipa de pessoal sanitário composto por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, terapeutas, farmacêuticos e psicólogos, os quais planificam e aplicam o tratamento correspondente.



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