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28 DE FEVEREIRO - Dia Internacional de conscientização sobre a LER/DORT - Lesões por Esforços Repeti - 12/02/2014



 28 DE FEVEREIRO Dia Internacional de conscientização sobre a LER/DORT - Lesões por Esforços Repetitivos

 

Você vende a força de trabalho para o patrão, e não a sua saúde. Defenda-se.

LER/DORT: uma doença que atinge os trabalhadores em razão da intensa pressão por produção existente nas fábricas

 

Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são doenças dos ossos, músculos e tendões que afetam, principalmente, o pescoço e os braços das pessoas.

 

As LER/DORT são doenças que só existem porque os patrões expõem os (as) trabalhadores (as) a riscos, principalmente aos relacionados à organização do trabalho - ritmo acelerado, jornada de trabalho longas, horas extras excessivas, pressão por produção, etc. Portanto, as LER/DORT são doenças que poderiam ser completamente evitadas se não fosse tão intensa e voraz a vontade patronal de explorar e lucrar, acima inclusive da proteção da saúde e da vida dos trabalhadores que, na realidade, são os que produzem a riqueza durante sua jornada cotidiana no interior das empresas.

 

Os (as) trabalhadores (as) lesionados com LER/DORT têm direito à abertura da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o que lhes garante o reconhecimento de que o adoecimento tem origem em seu trabalho.

 

 

Enfermidades mais comuns em razão da LER/DORT

 

* tendinites (inflamações nos tendões);

* epicondilites (inflamações nos cotovelos);

* síndrome do túnel do carpo (inflamação no punho), etc.

 

 

Causas do adoecimento

· Movimentos repetitivos;

· Postos de trabalho inadequados (ex: cadeiras, mesas ou bancadas impróprias) que levam o trabalhador a permanecer em posturas incorretas;

· Atividades de trabalho que exigem força;

· Vibração;

· Ferramentas de trabalho inadequadas (ex: tesouras, alicates e outros);

· Ritmo de trabalho intenso;

· Horas-extras;

· Pressão das chefias; e

· Exigência de produtividade (metas de produção) e qualidade.

 

 

Queixas mais comuns

· Dor;

· Sensação de peso e cansaço;

· Inchaço;

· Formigamento e adormecimento;

· Choque;

· Aumento de suor;

· Falta de força nas mãos.

 

 

No início dessas doenças, podem apenas alguns desses sintomas estar presentes. Geralmente, há um cansaço ou dor leve no final de um dia de trabalho, que melhora com o descanso à noite e aos finais de semana. Com o agravamento do quadro, estes sintomas ficam mais fortes e duram mais tempo, não melhoram com o repouso e dificultam não só a realização das atividades de vida diária (lavar louças, passar roupas, etc.), como também as do trabalho.

 


Previna-se!

* Procure organizar-se com outros trabalhadores, participando das reuniões de CIPA, comissão de fábrica e sindicato, para discutir as condições de trabalho e as formas de diminuir os riscos de acidentes e doenças do trabalho.

 

* Quando possível, faça pausas durante a jornada de trabalho para que seu corpo possa descansar e, em outros momentos, programe-se para fazer alongamentos e relaxamentos para se cuidar.

 

* Faça caminhadas diárias de no mínimo 30 minutos, começando com 15 minutos.

 

* Pratique alguma atividade física que possibilite o alongamento e o relaxamento dos músculos, tais como Lian Gong, Tai Chi Chuan, Yoga, etc. Os remédios ajudam, mas não devem ser a única alternativa.

 

* Se os sintomas persistirem, procure o sindicato de sua categoria ou o centro de aúde mais próximo de casa.

 

* Converse com os profissionais de saúde para tirar suas dúvidas a respeito de seu problema de saúde, porque assim poderá prevenir a doença ou seu agravamento pelo trabalho.

 

 

Informe-se!

Para mais informações, telefone ou procure o sindicato de sua categoria, vá ao CRST - Centro de Referência e Saúde do Trabalhador (av. Prof. Faria Lima, 680, Parque Itália, Campinas - SP - fone 3272.8025), postos de saúde e acesse na internet o Instituto Nacional de Prevenção às LER/DORT, pelo endereço www.uol.com.br/prevler .

 

 

INDICAÇÃO PARA LEITURA

 

Massacre Silencioso – Doença invisível na Nestlé de Araras (SP)

O livro Massacre Silencioso – Doença Invisível na Nestlé de Araras teve sua edição em português (capa ao lado) lançada durante o Encontro Nacional por uma CPI para apurar conivência em laudos entre peritos do INSS e médicos das empresas, realizada em Campinas no dia 06 de agosto de 2005. O livro é de autoria de Carlos Amorim, escrito originariamente em espanhol, e escancara, com fundamentações, o massacre que a multinacional impõe a seus trabalhadores na linha de produção o que os torna potenciais vítimas de LER – Lesões por Esforços Repetitivos.

 

Conforme define a Dra. Maria Maeno, especialista em medicina do trabalho e coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) de São Paulo, a LER “é um conjunto de afecções que ocorrem nos músculos, tegumentos, tendões, ligamentos, articulações, nervos e vasos sangüíneos. De maneira concomitante ou isolada costumam manifestar-se através de síndromes compressivas de nervos periféricos, tenossinovites, mialgias e outras síndromes dolorosas. Os portadores da doença expressam queixas de dor, parestesia (formigamento/adormecimento), sensação de peso, fadiga – geralmente de aparição insidiosa – nos membros superiores e na região cervical que ao princípio se manifestam em certas situações do trabalho, ou depois da jornada de trabalho, mas que com o tempo invadem os fins de semana, as férias e acabam sendo constantes. Os sintomas podem aparecer dias, semanas, meses ou anos depois da exposição continua ou freqüente a fatores desencadeantes e/ou agravantes da doença.”

 

Segundo Carlos Amorim denuncia em seu livro, na Nestlé em Araras “... se manipula os médicos para que não ordenem descansos aos lesionados e neguem a existência de LER, porque os líderes da fábrica pressionam os funcionários para alcançar suas metas de produtividade, inclusive com risco de sua segurança e saúde físicas...”

 

Cláudio Pinto de Oliveira, um dos trabalhadores da Nestlé em Araras que dão depoimentos no livro, diz “Eles aplicam o lema de que há que por peso sobre o burro até que não agüente, então se troca de burro. A produção aumentou o dobro em 25 anos e a folha de funcionário foi reduzida de 2.100 empregados para os atuais 1.300.”

 

O original foi publicado em novembro de 2004 pela Secretaria Regional Latino-Americana (Rel-UITA) - www.rel-uita.org , sediada no Uruguai.



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