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Estudo discute relação entre câncer e trabalho - 12/02/2014



 Estudo discute relação entre câncer e trabalho

Maior parte dos casos envolve pacientes do meio rural

 

Identificar as causas de doenças e saber a relação que elas têm com o trabalho do paciente, melhorando o sistema de informação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador. A partir daí, criar políticas públicas

que possam prevenir as chamadas doenças de trabalho. Este é o objetivo de uma pesquisa desenvolvida por uma equipe do Centro de Referência, com a colaboração da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Hospital do Câncer de Londrina (HCL). A pesquisa foi premiada como Melhor Trabalho Científico no 3º Simpósio Paranaense de Patologia Experimental, realizado na UEL e aceito no XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia, que acontece em Porto Alegre, no final do mês.

O trabalho foi desenvolvido pela fisioterapeuta do Centro de Referência, Claudete Romaniszen, pela docente do Departamento de Saúde Coletiva da UEL, Elisabete de Fátima Nunes e pela estudante do 4º ano de enfermagem, Fabiane

Gorni, que desde 2005 pesquisaram 784 fichas de pacientes atendidos no HCL. Foram selecionadas as fichas que tinham os tipos de câncer integrantes da lista de neoplasia relacionadas ao trabalho, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os principais tipos estão a doença de pele, estômago, laringe, brônquios e pulmão e somados, totalizando 296 casos.

 

Segundo as pesquisadoras, a maior parte dos casos (todos pacientes da 17 Regional de Saúde) envolvia pacientes que têm uma ligação com o trabalho no meio rural. Em primeiro lugar, com 60,8% de incidência, apareceu o câncer de

pele que predominou em trabalhadores ligados a atividades agrícola. Os casos da doença no estômago (17,6%), pulmão e brônquios (7%) e laringe (6,4%) indicaram uma possível relação com a exposição a agrotóxicos, inseticidas e

fuligem, também comuns no meio agropecuário. “Isso é apenas uma indicação. Pesquisas precisam ser feitas de forma mais aprofundada para confirmar os dados”, afirma a professora da UEL, Elisabete de Fátima Nunes.

 

A intenção é desenvolver uma série de pesquisas e formar equipes de saúde que vão detectar a ligação entre as doenças com o trabalho. “Hoje o atendimento clínico não contempla uma informação precisa sobre a situação do

trabalhador. Precisamos questionar qual a ocupação desse trabalhador, ouvir sua queixa e descobrir se ela tem relação com o trabalho. A partir daí teremos que melhorar a formação dos profissionais de saúde”, explica afisioterapeuta.

 

A medida será aplicada ainda este ano, quando serão formadas novas equipes. Já no segundo semestre estão programadas 25 turmas com 35 profissionais das 54 Unidades Básicas de Saúde de Londrina. “São profissionais que estarão mais atentos para identificar as reais causas das doenças e verificar se elas estão relacionadas à atividade profissional do paciente”, afirmam as pesquisadoras.

 

Obrigatoriedade

De acordo com as pesquisadoras, em todo o Brasil são poucos os dados referentes às doenças relacionadas ao trabalho. Em 99, o Ministério da Saúde, lançou uma lista com as doenças que passaram a ter notificações

obrigatórias e só a partir daí contemplou as doenças do trabalho. “Precisamos ampliar essas informações, garantir diagnóstico precoce e fazer com que as políticas públicas funcionem”, afirma a a professora Elisabete.

A pesquisa “Neoplasias relacionadas ao trabalho: estudo de morbidade em um hospital de referência”, finalizada no ano passado, será apresentada no próximo dia 20 no XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia, em Porto Alegre.



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