ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DOS VITIMADOS PELO TRABALHO

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Informações Sobre Saúde

O que pode gerar danos à Saúde - 12/02/2014



 Doenças ocupacionais mais comuns:

 

Asma Ocupacional

Enquanto a asma convencional é causada por ácaros comumente presentes no ambiente, a asma ocupacional acontece com trabalhadores que, durante suas atividades profissionais, entram em contato com produtos químicos ou agentes biológicos que causam alergia ou irritação no aparelho respiratório.

Os primeiros sintomas são a tosse seca, falta de ar e o chiado no peito; o efeito é o mesmo da asma convencional: contração dos brônquios (canais por onde passa o ar) que fecha as vias aéreas, causando a dificuldade de respirar. Embora as crises possam aparecer casa, depois do trabalho, é mais comum que elas aconteçam durante o horário de trabalho e que diminuam nos períodos em que o trabalhador se afasta, como nos finais de semana e períodos de férias.

A melhor forma de prevenir a asma ocupacional é por meio da utilização de equipamentos de proteção que impeçam o contato do trabalhador com o agente causador da alergia. Quando o paciente já esta adoecido, o tratamento clínico é o mesmo realizado para a asma convencional, portanto é necessário que o paciente seja afastado do agente causador, isto é, o mais indicado é que o trabalhador mude seu local de trabalho, ou seja realocado na empresa, o que nem sempre é possível.

 

Dermatoses Ocupacionais

As dermatoses ocupacionais são lesões que afligem a pele dos trabalhadores que durante suas atividades precisam entrar em contato com produtos e agentes que causam irritação e alergia, mas não têm acesso à proteção adequada. Na maior parte dos casos tais dermatoses são causadas pelo contato freqüente com agentes químicos, muito comuns em indústrias e também no trabalho doméstico (por meio dos produtos de limpeza).

Os sintomas são: ressecamento, vermelhidão, descamação, fissuras, crostas, inchaço, inflamação, unhas quebradiças, verrugas, erupções, queimaduras, etc.

A melhor forma de prevenir este tipo de dermatose é proteger a pele por meio de luvas e roupas impermeáveis ou que impeçam o contato com o agente causador.

 

LER / DORT
Lesão por Esforços Repetidos / Doenças Osteomusculares Relacionados ao Trabalho


As lesões por esforços repetitivos (LER), são movimentos repetidos de qualquer parte do corpo que podem provocar lesões em tendões, músculos e articulações, principalmente dos membros superiores, ombros e pescoço, devido ao uso repetitivo ou a manutenção de posturas inadequadas resultando no declínio do desempenho profissional. As vítimas mais comuns são os digitadores, datilógrafos, bancários, telefonistas, secretárias e trabalhadores de linhas de montagem.

As principais causas de LER são: posto de trabalho inadequado, mas projetado ou ergonomicamente errado; atividades no trabalho que exijam força excessiva com as mãos; posturas inadequadas e desfavoráveis às articulações; repetição sistemática de um mesmo padrão de movimento; ritmo intenso de trabalho; jornada de trabalho prolongada; falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes; falta de orientação e desconhecimento sobre os riscos do LER.

Os sintomas principais sintomas são: formigamentos, dores, fadiga, perda da força muscular e inchaço nas partes afetadas. Geralmente os diagnósticos médicos são de tenossinovites, tendinites, epicondilite, bursites, etc.

A melhor forma de combater a LER é através da prevenção, isto é, evitar que o trabalhador se torne um lesionado, oferecendo condições de trabalho adequadas e que não o deixe exposto às causas do LER. O trabalhador portador de LER deve ser reaproveitado em outra função em que não sua lesão não seja agravada.

 

Intoxicação por metais pesados

Os metais pesados, quando absorvidos pelo corpo humano, se depositam no tecido ósseo e gorduroso, ocupando o lugar de minerais nobres. Lentamente liberados no organismo, eles podem provocar uma série de doenças.

Saiba mais sobre estes metais, onde estão presentes e que doenças podem provocar:

Alumínio
Onde é encontrado: Produção de artefatos de alumínio; serralheria; soldagem de medicamentos (antiácidos) e tratamento convencional de água.
Efeitos:Anemia por deficiência de ferro; intoxicação crônica.

Arsênio
Onde é encontrado: Metalurgia; manufatura de vidros e fundição.
Efeitos: Câncer (seios paranasais).

Cádmio
Onde é encontrado: Soldas; tabaco; baterias e pilhas.
Efeitos: Câncer de pulmões e próstata; lesão nos rins.

Chumbo
Onde é encontrado: Fabricação e reciclagem de baterias de autos; indústria de tintas; pintura em cerâmica; soldagem.
Efeitos: Saturnismo (cólicas abdominais, tremores, fraqueza muscular, lesão renal e cerebral).

Cobalto
Onde é encontrado: Preparo de ferramentas de corte e furadoras.
Efeitos: Fibrose pulmonar (endurecimento do pulmão) que pode levar à morte.

Cromo
Onde é encontrado: Indústrias de corantes, esmaltes, tintas, ligas com aço e níquel; cromagem de metais.
Efeitos: Asma (bronquite); câncer.

Fósforo amarelo
Onde é encontrado: Veneno para baratas; rodenticidas (tipo de inseticida usado na lavoura) e fogos de artifício.
Efeitos: Náuseas; gastrite; odor de alho; fezes e vômitos fosforescentes; dor muscular; torpor; choque; coma e até morte.

Mercúrio
Onde é encontrado: Moldes industriais; certas indústrias de cloro-soda; garimpo de ouro; lâmpadas fluorescentes.
Efeitos: Intoxicação do sistema nervoso central.

Níquel
Onde é encontrado: Baterias; aramados; fundição e niquelagem de metais; refinarias.
Efeitos: Câncer de pulmão e seios paranasais.

Fumos metálicos
Onde é encontrado: Vapores (de cobre, cádmio, ferro, manganês, níquel e zinco) da soldagem industrial ou da galvanização de metais.
Efeitos: Febre dos fumos metálicos (febre, tosse, cansaço e dores musculares) - parecido com pneumonia.


A melhor forma de combater a intoxicação por metais pesados é impedir que eles sejam absorvidos pelo corpo.

Perda Auditiva
Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR)

A perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR) é a diminuição gradual da capacidade de ouvir em razão de uma longa exposição à ruídos sem a devida proteção. A exposição repetida ao ruído excessivo pode levar, ao cabo de alguns anos, à perda irreversível e permanente da audição. Como sua instalação é lenta e progressiva, a pessoa só se dá conta da deficiência quando as lesões já estão avançadas.

Os trabalhadores que sofrem com a PAIR começam a ter dificuldades para perceber os sons agudos (como os de telefones, apitos, tiquetaque do relógio, campainhas, etc), e caso continuem se expondo à altos ruídos, poderão comprometer ainda as freqüências que afetam o reconhecimento da fala. Além da diminuição da audição, também são identificados como sintomas PAIR a presença de zumbidos e de tonturas.

A perda da audição, ainda que parcial, tem uma influencia negativa muito grande na qualidade de vida do ser humano, causando danos ao seu comportamento individual, social e psíquico, como: perda da auto-estima, insegurança, ansiedade, inquietude, estresse, depressão, alterações do sono, maior irritabilidade, isolamento, etc.

Qualquer redução na sensibilidade auditiva é considerada perda auditiva, no esquema abaixo é possível visualizar quais as possíveis conseqüências para a audição, de acordo com o volume do ruído a que o trabalho é exposto sem a devida proteção:


0 - 25 dB audição normal

26 - 40 dB perda auditiva leve

41 - 70 dB perda auditiva moderada

71 - 90 dB perda auditiva severa

mais de 90 dB perda auditiva profunda


A perda de audição também esta relacionada ao tempo de exposição ao ruído e à outros fatores como pré-disposição e idade.

A perda auditiva induzida pelo ruído relacionada ao trabalho pode ser prevenida com o uso constante de protetores auditivos individuais, que devem ser fornecidos pela própria empresa (de acordo com a portaria 3.214 do Ministério do Trabalho, que trata de Equipamentos de Proteção Individual).

 

Pneumoconioses

As pneumoconioses dão doenças que provocam uma fibrose ou endurecimento do tecido pulmonar em razão do acúmulo de poeira tóxica nos pulmões.

 

Silicose

A silicose, causada pela inalação de poeira de quartzo (poeira de silica), é caracterizada pela formação de nódulos no pulmão que podem levar à graves problemas respiratórios. A doença é progressiva e irreversível (piora ao longo dos anos), e seus sintomas aparecem após muitos anos de exposição: começam com tosses e escarros, passando por dificuldade para respirar e fraqueza no organismo, chegando, nos casos mais graves, a insuficiência respiratória.

Os trabalhadores mais atingidos pela silicose estão na indústria extrativa (mineração subterrânea e de superfície); no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem, lapidação); em fundições; em cerâmicas, em olarias; no jateamento de areia; cavadores de poços; polimentos e limpezas de pedras, etc.

 

Asbestose

O amianto - ou asbesto - é uma fibra mineral bastante usada na fabricação de caixas-d’água, lonas e pastilhas de freio dos carros, telhas e pisos, tintas e tecidos antichamas. Altamente tóxica e cancerígena, a fibra é proibida em vários países do mundo.

A asbestose é uma doença respiratória causada pela inalação do pó amianto, que se aloja nos pulmões e, em longo prazo, compromete a capacidade respiratória e pode levar à morte, além de estar associada ao câncer de pulmão. Os doentes são geralmente trabalhares de indústrias que usam o amianto como matéria prima, além daqueles que trabalham na construção civil. Os principais sintomas são falta de ar e cansaço excessivo.

Não existe tratamento para a asbestose, ela é uma doença crônica e progressiva, razão pela qual, se discute a proibição do uso do amianto e sua substituição por outras fibras no Brasil.

 

Distúrbios Psiquicos

A forma como o trabalho está organizado, a duração das jornadas, a intensidade, monotonia, repetitividade, alta responsabilidade e principalmente a forte pressão por produtividade que levam as pessoas para muito além dos limites saudáveis são fatores que podem provocar distúrbios psiquicos nos trabalhadores.

Podem ser sinais de disturbios psiquicos relacionados ao trabalho: modificação do humor, fadiga, irritabilidade, cansaço por esgotamento, isolamento, distúrbio do sons (falta ou excesso), ansiedade, pesadelos com o trabalho, intolerância, descontrole emocional, agressividade, tristeza, alcoolismo e falta ao trabalho. Estes sinais podem vir acompanhados de sintomas físicos como: dores (de cabeça ou no corpo todo), perda do apetite, mal estar geral, tonturas, náuseas, sudorese, taquicardia, etc. As tensões, angústias e conflitos presentes no ambiente de trabalho sobrecarregam o corpo e podem levar também a acidentes e contribuir para agravar outras doenças profissionais.

É sempre importante ressaltar que o trabalhador tem direito à um tratamento digno, de ser reconhecido como ser humano com qualidades e limites, e o empregador precisa entender que, embora pague pela força de trabalho durante o período da jornada (de até 44 horas semanais), não comprou o corpo ou à saúde do trabalhador, que devem ser sempre preservados.

Os distúrbios psiquicos relacionados ao trabalho, em muito casos, também estão ligados ao assédio moral, humilhações e degradações constantes que criam um ambiente hostil, afetando a saúde do trabalhador.

Assédio Moral

O assédio moral está ligado à idéia de humilhação, isto é, com o sentimento de ser ofendido, menosprezado, rebaixado, constrangido, etc. A pessoa que é vítima de assédio moral se sente desvalorizada e envergonhada.
No ambiente de trabalho o assédio moral pode ser identificado por humilhações constantes, geralmente provocados por um chefe ou superior na escala hierarquica, que levam à uma degradação das condições de trabalho. A vítima, com medo de perder o emprego, se sente de mãos atadas diante das hostilidades acaba se submetendo ao rebaixamento. Os colegas de trabalho também amedrontados, aderem à um pacto de tolerância e silêncio deixando a vítima cada vez mais isolada e sem ter a quem recorrer.
Em grande parte dos casos o assédio moral tem como objetivo criar uma situação insustentável, pressionando o empregado para que ele peça demissão. Segundo a advogada trabalhista Sílvia Helena Soares “para não arcar com as despesas trabalhistas, o empregador cria um ambiente insuportável e assim o funcionário acaba pedindo demissão.

 

Como identificar


O trabalhador:

- é isolado dos demais colegas; 
é impedido de se expressar sem justificativa; 
é fragilizado, ridicularizado e menosprezado na frente dos colegas; 
é chamado de incapaz; 
se torna emocional e profissionalmente abalado, o que leva à perder a auto-confiança e o interesse pelo trabalho; 
se torna mais propenso à doenças; 
é forçado à pedir demissão. 


O agressor:

age através de gestos e condutas abusivas e constrangedoras; 
busca inferiorizar, amedrontar, menosprezar, difamar, ironizar, dá risinhos, suspiros, e faz brincadeiras de mau gosto; 
ignora, não comprimenta e é indiferente à presença do outro; 
dá tarefas sem sentido e que jamais serão utilizadas; 
controla o tempo de idas ao banheiro, impõe horários absurdos de almoço, etc. 

Como consequência o trabalhador humilhado pode sofrer de angustia, entrar em depressão e até mesmo pensar em suicídio. São muito comuns distúrnio do sono (falta ou excesso), descontrole emocional, crises de choro, irritabilidade, aparecimento de dores (de cabeça e por todo o corpo), perda de apetite, tonturas, taquicardia, aumento da pressão arterial, problemas digestivos e, em alguns casos, fuga por meio de álcool e drogas. Isto significa que o assédio moral produz reflexos muito sérios na vida daqueles que passam por isso.


Como lutar contra o assédio moral

Tomar nota das humilhações sofridas com data, hora, local, quem foi o agressor, quem testemunhou, o que aconteceu, o que foi falado, etc. 
Procurar ajuda de colegas, em especial daqueles que testemunharam e os que também já sofreram humilhações. 
Evitar conversar com o agressor sem testemunhas. 
Caso seja uma empresa grande, onde o chefe direto não é o dono da empresa, relate o que vem acontecendo ao RH (Recursos Humanos) ou DP (Departamento Pessoal). 
Procurar ajuda de diretores, médicos ou advogados do sindicato ao qual é filiado; 
Relatar o que vem ocorrendo ao Ministério Público; 
Buscar auxílio da Justiça do Trabalho; 
Buscar apoio em Comissões de Direitos Humanos; 
Caso o assédio moral esteja gerando danos à sua saúde, procure um centro de referência e saúde do trabalhador; 
Não se cale e comente o que ocorre com familiares e amigos. Nestas situações a solidariedade é fundamental. 

O Brasil ainda não tem uma lei específica que trata desta matéria (tanto no âmbito federal, quanto em várias cidades e estados existem projetos de lei em elaboração para coibir o assédio moral). Ainda assim, o trabalhador vítima de assédio moral pode processar seus chefes e empregadores por danos morais em virtude de humilhações sofridas. Para isso é muito importante reunir o maior número de provas que caracterizam o assédio, como troca de e-mails, testemunhas dispostas a falar, etc. e procurar a justiça comum.



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